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Dicas do Dowbor - Julho
01.07.2016

Caros/as, 


Estamos afundando no retrocesso civilizatório, o que é muito mais do que retração do PIB. Violências e ilegalidades, redução dos espaços democráticos, ataque generalizado às conquistas sociais, comprometimento da soberania. A fórmula econômica é simples: fazer a população pagar um novo ciclo de prosperidade e de “confiança” dos ricos nacionais e internacionais. Não é tão original assim. No mundo todo há indignações crescentes com a economia e política do 1%. O que acontece é que estamos essencialmente destruindo o planeta (meio ambiente), em proveito de uma minoria (desigualdade crescente), enquanto os recursos financeiros, em vez de investir nas transformações necessárias, ampliam o casino (ganhos com capital financeiro improdutivo que sequer paga impostos quando migra para os paraísos fiscais). Precisam de cada vez menos democracia para manter um sistema cada vez mais absurdo.

1. O meu texto A Captura do Poder Político pelas Corporações, (junho de 2016, 11p.) apresenta a expansão dos lobbies, a compra dos políticos, a invasão do judiciário, o controle dos sistemas de informação da sociedade e a manipulação do ensino acadêmico. São esses alguns dos instrumentos mais importantes da captura do poder político geral pelas grandes corporações. Mas o conjunto desses instrumentos leva em última instância a um mecanismo mais poderoso que os articula e lhes confere caráter sistêmico: a apropriação dos próprios resultados da atividade econômica, por meio do controle financeiro, em pouquíssimas mãos. As dinâmicas de poder político, econômico e cultural estão sendo reorientadas, gerando uma nova configuração que se trata de estudar. Os nossos dramas têm raízes mais amplas. Confiram em: http://dowbor.org/2016/06/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html/ (Também publicado por IHU, Outras Palavras, Carta Maior, Abong e outras newsletters).


2. Neste momento é essencial termos boas ferramentas para entender o golpe contra a democracia que se desenrola no Brasil. Organizado pela CLACSO, Golpe en Brasil: genealogía de una farsa está em espanhol e reúne visões de primeira importância, com análises imperdíveis de Eduardo Fagnani, Pablo Gentili, Perry Anderson, Amy Goodman, Glenn Greenwald, Paulo Kliass, Frei Betto, Cuauhtémoc Cárdenas, Michael Löwy, Adolfo Pérez Esquivel, Luiz Gonzaga Belluzo, João Feres Júnior, Immanuel Wallerstein, Leonardo Boff, João Pedro Stédile, Elodie Descamps, Tarik Bouafia, Raúl Zibechi, Pedro Paulo Zahluth Bastos, Guilherme Santos Mello, Mark Weisbrot, Boaventura de Sousa Santos e, também, do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff. Compartilhem e baixe o pdf da publicação aqui: http://www.clacso.org.ar/libreria-latinoamericana/libro_detalle.php?id_libro=1115&orden&pageNum_rs_libros=0&totalRows_rs_libros=1078

 

3. George Monbiot é conhecido nosso pelos artigos no Guardian. Acaba de lançar o livro How did we get into this mess, leitura muito gostosa. Monbiot tem o dom da palavra, e associa este dom com uma impressionante lucidez. Eu, em geral, não gosto de livros em que o autor reúne artigos, mas no caso dele a qualidade dos textos, a variedade das questões tocadas, a capacidade de ir direto onde dói e de explicitar os nossos dramas culturais, sociais, econômicos e políticos constitui um refresco. O que os artigos têm em comum aparece exatamente no título: como é que fomos nos meter nesta encrenca? E haja encrenca. George Monbiot – How did we get into this mess? – Verso Ed., London, New York, 2016, 340p. – ISBN 13: 978-1-78478-362-4 URL: http://dowbor.org/2016/06/george-monbiot-how-did-we-get-into-this-mess-verso-ed-london-new-york-2016-340p-isbn-13-978-1-78478-362-4.html/

 

4. Quero muito recomendar o novo livro de Ha-Joon Chang, Economia: modo de usar: Um guia básico dos principais conceitos econômicos. O autor é nosso conhecido em particular pelo já clássico Chutando a Escada, e o excelente 23 coisas que não nos disseram sobre o capitalismo.  Temos aqui uma ferramenta preciosa. Recomendo em particular porque muita gente está se dando conta que com o nosso grau de analfabetismo econômico, ninguém entende o que acontece, e isto é muito perigoso. Os que manipulam acham ótimo este desconhecimento. Mas todos precisamos, por exemplo, entender como nos manipulam os bancos, os crediários e os cartões de crédito. Alguém já teve aula sobre isto nas escolas? O livro de Chang se encaixa perfeitamente no nosso déficit de conhecimento. E eu, que já estudei muita economia, não perdi meu tempo, pois o mundo econômico está mudando. Vale muito a pena, e não é necessário nenhum conhecimento prévio necessário. (Penguin, São Paulo 2015)

 

5. Ladislau Dowbor (Org.) – Cultura Digital no Brasil – UNESCO, Paris; Editora Brasileira, São Paulo, 2016, 198 p. ISBN 978-85-63186-39-3

Na era digital, a cultura deixa de ser um verniz chique para famílias ricas, ou indústria do lugar comum nos meios de comunicação de massa, para se transformar em vetor chave da apropriação não só de bens culturais produzidos pelas próprias comunidades, com toda a sua diversidade, como em vetor de apropriação de novas dinâmicas econômicas e de novas identidades no processo de desenvolvimento. Revolução tecnológica, economia do conhecimento, conectividade planetária e apropriação cultural estão densamente articuladas neste processo.


Confiram a íntegra do capítulo: “Cultura digital: novos rumos da economia e da organização social” : http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/15-Pedro-Saad-Cultura-digital.doc Quem quiser ler a íntegra do livro, pode baixar o pdf, mas como é muito grande o arquivo, é preciso baixa-lo pelo computador e não pelo celular: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/Dowbor_CulturaDigital_portugueseingles.pdf (edição bilingue português/inglês)

 

6. Lais Fontenelle (Org.) – Criança e consumo – Instituto Alana, São Paulo, 2016, ISBN 978-85-99848-05-0 – O Instituto Alana comemorou os seus 10 anos de luta pela criança como prioridade total com um livro de belíssima edição e acabamento, e disponível online na íntegra. Trata-se, além de muita informação organizada, de assegurar que possa ser difundida e utilizada nos capítulos individuais. São cerca de 20 autores de primeira linha, trazendo os desafios práticos para resgatar o espaço a que as crianças têm direito. O meu capítulo, Cidade, Família e Escola: impactos na vida das crianças, faz parte de um trabalho que ajudei a fazer para a ONU,  Cities for Children. Não é possível que sigamos organizando as cidades para adultos motorizados e cujo esporte é o Shopping. Confiram aqui a íntegra do capítulo: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2013/03/15-ALANA-Inf%C3%A2ncia-consumo-e-sustentabilidade.doc E aqui, a íntegra do livro: http://criancaeconsumo.org.br/wp-content/uploads/2014/02/Crianca-e-Consumo_10-anos-de-transformacao.pdf

7. E para alegrar os nossos corações sofridos, não deixem de ver The men who made us spend, um documentário da BBC sobre os hábitos de consumo, imensamente instrutivo, e tristemente divertido. Passa de vez em quando na BBC Earth, com legendas em português. Também está no Youtube em inglês, se alguém localizar com legendas avise por favor. Imperdível, raramente encontramos um retrato tão realista e tão bem documentado.  Segue o link no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=B894f_Bzvp4



Abraços,

Ladislau Dowbor

1 de julho de 2016





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